Nota informativa: CRESS/MS reafirma prioridades e desafios no 52º Encontro Nacional

Inicialmente, cabe reafirmar que nossa gestão “Lutas Emancipatórias, Justiça Social e Diversidade” do CRESS 21ª Região/MS tem buscado, com muitos esforços, cumprir as deliberações do Conjunto CFESS/CRESS, pautadas em encontros, reuniões, grupos de trabalho e outras iniciativas. Nesse sentido, podemos elencar rapidamente as ações que têm sido priorizadas.

No que se refere à Formação, buscamos parcerias com Universidades e com a Escola de Governo de MS. Estamos caminhando para a abertura do curso de Serviço Social na UEMS e também construímos importantes parcerias para a formação com a Escola de Governo.

Em relação à luta pela implantação da Lei 13.935, que assegura assistentes sociais e psicólogos na educação, tem sido fundamental a parceria com o CRP e o MPE. Mais da metade dos municípios de MS já informaram contar com esses profissionais nas escolas, mas sabemos das dificuldades, começando pela capital, Campo Grande, que ainda não cumpre a referida lei.

A gestão também priorizou a interiorização do CRESS nos 79 municípios do Estado, por meio da reativação e criação de onze NuCRESS até o momento, cujas representantes estão hoje aqui no Encontro Nacional, compondo a delegação de MS. Além disso, merece destaque a busca pela melhoria e maior visibilidade da sede do Conselho.

Para analisar a situação da categoria, é necessário apresentar antes a conjuntura difícil sob o ponto de vista político e econômico, o que não é novidade em nosso país. Apesar de um governo popular, não há avanços diante das amarras do neoliberalismo: os juros da dívida que consomem metade do PIB, um Congresso que representa elites econômicas e ainda executa bilhões em emendas sem transparência, enquanto o Poder Executivo já não dispõe de orçamento suficiente para obras e serviços essenciais.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário é semelhante. O Estado é dominado pela economia do agronegócio, altamente concentradora de riquezas, exportadora de grãos e carnes, com enormes desigualdades sociais. Vive ainda um momento de euforia econômica com a implantação da Rota Bioceânica, que ligará o Brasil aos portos do Chile, e com a chegada de grandes indústrias de celulose, ambas trazendo impactos sociais e ambientais significativos.

Os efeitos da crise climática também são sentidos em MS, agravados pela substituição de ecossistemas nativos por extensas plantações homogêneas de eucalipto, comprometendo serviços ambientais e afetando o equilíbrio do Cerrado e do Pantanal. Nesse sentido, foi muito oportuna a campanha do Conjunto CFESS/CRESS deste ano, que trouxe a temática do meio ambiente, estimulando a reflexão sobre metodologias e enfrentamentos nessa área.

As e os assistentes sociais vêm enfrentando há anos falta de concursos, contratos temporários e precários, baixos salários, desemprego e o avanço dos cursos EAD. Em MS, a realidade é ainda mais desafiadora, já que a maioria dos cursos de Serviço Social são privados e a distância. Isso se soma à concentração da economia no agronegócio, que dificulta a diversificação econômica e reduz oportunidades em áreas sociais.

No interior e nas regiões de fronteira, o mercado de trabalho é ainda mais restrito, pela ausência de investimentos públicos e infraestrutura. Isso força muitos profissionais a migrarem para os centros urbanos. Diante dessa conjuntura, é urgente fortalecer entidades sindicais e sociais, construir estratégias coletivas de resistência, realizar mobilizações, encontros e capacitações. Precisamos reafirmar o papel do Estado, da democracia e dos direitos sociais.

O CRESS tem papel fundamental no fortalecimento da categoria e na articulação com os movimentos sociais e populares, como MST, movimentos de moradia, coletivos feministas, ambientalistas, antirracistas, LGBTQIAPN+ e sindicatos. Nossa luta não deve ser apenas corporativa, mas da classe trabalhadora brasileira, em defesa da democracia, da soberania e dos direitos sociais. Que este Encontro Nacional fortaleça nossas bandeiras de luta e contribua para melhores condições de trabalho, mais dignidade profissional e justiça social para as populações atendidas pelo Serviço Social.

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